quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pensamentos úmidos e brancos e recorrentes


 A chuva escorre pela janela chamando o frio pra brincar, todos os dias eu vejo as nuvens indo e vindo cortejando umas as outras para dançar, meus dias são cinzas , vezes ou outra tornam-se azulados ou alaranjados  quando ela vem brincar , tem dias que o tedio me assalta e leva tudo que eu tenho, outros dias ele vem , se senta  amuado , oferece um cigarro e espera o tempo passar.
Todo dia faço planos , uns dias compro carruagens imaginarias e balões coloridos , outros  me enrolo no  cobertor esperando a preguiça vir ( a maldita nunca vem), as vezes desaguo pensamentos pelos cantos da casa , outras vezes seco lagrimas, olhos e o que mais vier pela frente , meus dias não são meus , são  de alguém que mora lá, um alguém que me rouba pensamentos noturnos e me serve diárias doses de saudade tamanho extra G.
As vezes os dias se arrastam, as noites se lamentam da lentidão do dia e escondem a musa dos meus olhos , maldição de tempo frio que me doe nos  ossos, que  me aguçam a vontade de nada fazer  a não ser cismar. Cismo que  a vida escorre entre meus dedos , o vento sopra meus amores para longe , cismo que esqueci de como empunhar a espada que me deste , cismo , cismo , cismo  ate que meus olhos tenham o peso dos portões do céu,  até que as visagens mais belas se prostrem a minha frente cantando glorias  a chuva que estiou.
Entretida em pensamentos  pálidos, os olhos secos de olhar pra porta  com o corpo quadrado  e pesado  de carregar o mundo nas costas , sento e  escrevo as aventuras de quem viveu pela metade esperando o por vir,  de quem  nesta terra apenas teceu sonhos  e guardou lagrimas  em frascos azuis, olhou o céu  noturno   com nostalgia a muito tempo atrás, quando as estrelas ainda eram crianças  e o inverno ainda era um lugar distante  e fantasioso.
Hoje eu espero a neve  e a vontade de sair , todos espaços não parecem ser meus , nenhuma roupa me cabe  ou  me aquece ,  visto –me de mim em minhas peles nuas e corajosas a enfrentar  meus medos brancos e insípidos como a chuva que  ainda não se vai.

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