quarta-feira, 3 de abril de 2013

As ultimas folhas do Outuno




Nos últimos dias de outono
Descobri que havia o silencio
Um vácuo insuportável
Que invadiu tudo que existia

No cair da ultima folha
Só haviam minhas mãos vazias
Um eco distante  do que fora felicidade
Um peito ardendo em chamas
As mãos endurecidas pelo frio

Estou tão nua  e despreparada
Quanto as arvores jovens  que enfrentam a primeira  geada
Quisera me acovardar  mas reconheço que falhei
Acendo outra  fogueira  com gravetos que podei
Sou de mim mesma o atroz carrasco
Permito me o frio, a dor ,  a solidão
Enquanto meu corpo crepita mutilado
Entre as cinzas  dos meus últimos fôlegos
E os flocos pesados da chegada do inverno 

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