Nos
últimos dias de outono
Descobri
que havia o silencio
Um
vácuo insuportável
Que
invadiu tudo que existia
No
cair da ultima folha
Só
haviam minhas mãos vazias
Um
eco distante do que fora felicidade
Um
peito ardendo em chamas
As
mãos endurecidas pelo frio
Estou
tão nua e despreparada
Quanto
as arvores jovens que enfrentam a
primeira geada
Quisera
me acovardar mas reconheço que falhei
Acendo
outra fogueira com gravetos que podei
Sou
de mim mesma o atroz carrasco
Permito
me o frio, a dor , a solidão
Enquanto
meu corpo crepita mutilado
Entre
as cinzas dos meus últimos fôlegos
E
os flocos pesados da chegada do inverno

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