segunda-feira, 25 de março de 2013

Manhã fria


Manhã fria
Promessas veladas de chuva ao longo do dia
Olhos igualmente nublados
Aguardam o passar lento e surdo das horas
Crianças ao meu redor 
Se aconchegam a suas mães
Para ouvir canções  de longínquas terras  quentes e floridas
O vento, mensageiro , traz sorrisos e lembranças
Hoje não é mais como ontem a muito tempo
E o relógio arrasta os minutos
Com a mesma pressa que o gele tem em se formar
Brisas gélidas vem ocupar
Com calafrios tudo que há em volta
Rarefaz o que restou
Luzes escurecem
Corpos desfalecem entregues as memórias, saudades e solidão.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sonho Branco


Tenho receio de não despertar
Desses sonhos brancos e suas cantigas
O vento se esgueira pela fresta
Sussurra verdades que não compreendo
Enquanto sigo atormentada pelas minhas incapacidades
Tecendo os fios de vida ao crepitar do fogo brando
O tempo se arrasta  como  a neve que o vento deita
Se alonga ,se demora  e enfim me golpeia
O turvo da noite chega
Mas  teu cheiro não vem
O vento sorri de minha espera vã
Minhas mãos frias e frágeis
Discorrem pelas trama das tranças
Quando átomos poéticos me provocam explosões internas
Derramo acidas lagrimas  e palavras
Maldigo a sorte , o vento  e o acaso
A brancura  me imobiliza e não me importa mais
Vidros que se estilhaçam para que o vento venha
Essa  que seja a derradeira despedida
O ultimo sangue derramado
No sacrifício inútil e  ingênuo desta vida frágil
Posta a prova numa poesia invernal  sem sentido

quarta-feira, 20 de março de 2013

Encantada




Sentada  a beira das águas
Foi onde o dia nascido me encontrou
A  minha volta uma gama  sem fim
De  enevoadas cores  e sentimentos nublados

Margeando águas  que displicentes
Se deitam cantando sonetos ciganos
E métricas descabidas  de amados infantes
Trazem a força das fogueiras de noites esquecidas

Encantada pela fluência dos acontecimentos
Os doces sons que trazem nebulosas memórias
Do clã dos desvairados poetas da madrugada
Meus olhos transbordam saudades em gotas

Proponho um soneto sem rimas ao poeta
Sussurro feitiços cantados ao infante
Leio a sorte  do amante que parte
Mergulho no mitológico universo inexistente 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Caminhante



Caminho a ermo  perdida em meus pensamentos
Distante venho vagando entre neblinas da madrugada
O chão vestido de corações
Enquanto eu sigo, solene, despida de meus julgamentos

Vou cantando palavras que me venham a mente
Numa hipnótica e interminável melodia
O corpo riscado  pelas emoções
Mãos vazias entre meus dedos inertes apenas o vento

Olhos cansados de buscar o insondável, o impalpável
Respiro a incerteza desta densa e gélida cortina
De nada me serve essa  Alma leve que transpira sedutoras intenções
Quando o frio invade tudo, ressecando meus pobres intentos .

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ventos que vem



O vento vem  me visitar
No inicio do outono apaga as bocas do fogão
Bate portas mau humorado
Despenteia sem dó  meus anelados cabelos
Me visita trazendo cheiros, sons e folhas secas
Olhos e boca árida,
Ávida...

Parece ouvir os lamentos do meu  coração
Sopra suas verdades apaixonadas perfumadas  de ilusão
Canta melodias suaves e se revela
Sussurrando através da janela

O vento vem me procurar
Então despe-se como se estivesse vestido
Deslumbra-me como se já não estivesse seduzida
Me possui como se nunca houvera sido possuída
Invade  e desordena todos os espaços,
Me vigia ,entre suspiros observa silencioso e soturno
Asilado entre meus apreensivos abraços.

Chegada dos ventos




Quando teu cheiro era tudo que eu tinha
Eu era feliz  até a raiz dos cabelos
Não precisava de tanto
Não desejava nada
Os ventos frios  vinham gélidos
Contar de sua partida
Mas a felicidade me fazia ignorar

Quando seu riso era tudo que me bastava
Eu contava estrelas deitada  a beira mar
Tinha tudo e não desejava nada
As aguas cálidas  se derramaram por minha vida
Sem contar com outra saída
Resta-me apenas me entregar

Quando  teu abraço era meu universo
Seus brancos fios imensidão de estrelas
Teus olhos  castanhas constelações
Eu me  contentava em olhar-te absorto
Com novas realizações
Nossas vidas entrelaçadas  e paralelas
Nosso destino um conto controverso
Me bastava nesta vida te amar


quarta-feira, 13 de março de 2013

Crônicas de um desaparecimento



Era noite , era dia
Ciclos se repetiam frente aos nossos olhos inertes
Rapidamente  a palavra tornou-se silencio
Então sepucralmente  se  prostrou
O vento morno girava as pás do tempo
Numa amarga espera que nunca se acabava

Era  dia era noite
E a muito tempo a lua não dançava
Nossas melodias mundanas, absurdas
Então  o poeta  secou as suas tintas
Já não sentia cheiro de nada
Sinto o silencio soturno  se esgueirando
Não haviam mais borboletas, nem raposas assustadas
Restou a ausência  e um corredor vazio
Que esvaeceu...