sexta-feira, 29 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Manhã fria
Manhã
fria
Promessas
veladas de chuva ao longo do dia
Olhos
igualmente nublados
Aguardam
o passar lento e surdo das horas
Crianças
ao meu redor
Se
aconchegam a suas mães
Para
ouvir canções de longínquas terras quentes e floridas
O
vento, mensageiro , traz sorrisos e lembranças
Hoje
não é mais como ontem a muito tempo
E
o relógio arrasta os minutos
Com
a mesma pressa que o gele tem em se formar
Brisas
gélidas vem ocupar
Com
calafrios tudo que há em volta
Rarefaz
o que restou
Luzes
escurecem
Corpos
desfalecem entregues as memórias, saudades e solidão.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Sonho Branco
Tenho
receio de não despertar
Desses
sonhos brancos e suas cantigas
O
vento se esgueira pela fresta
Sussurra
verdades que não compreendo
Enquanto
sigo atormentada pelas minhas incapacidades
Tecendo
os fios de vida ao crepitar do fogo brando
O
tempo se arrasta como a neve que o vento deita
Se
alonga ,se demora e enfim me golpeia
O
turvo da noite chega
Mas teu cheiro não vem
O
vento sorri de minha espera vã
Minhas
mãos frias e frágeis
Discorrem
pelas trama das tranças
Quando
átomos poéticos me provocam explosões internas
Derramo
acidas lagrimas e palavras
Maldigo
a sorte , o vento e o acaso
A
brancura me imobiliza e não me importa
mais
Vidros
que se estilhaçam para que o vento venha
Essa
que seja a derradeira despedida
O
ultimo sangue derramado
No
sacrifício inútil e
ingênuo desta vida frágil
Posta
a prova numa poesia invernal sem sentido
quarta-feira, 20 de março de 2013
Encantada
Sentada a beira das águas
Foi onde o dia nascido me encontrou
Foi onde o dia nascido me encontrou
A minha volta uma gama sem fim
De enevoadas cores e sentimentos nublados
Margeando
águas que displicentes
Se
deitam cantando sonetos ciganos
E
métricas descabidas de amados infantes
Trazem
a força das fogueiras de noites esquecidas
Encantada
pela fluência dos acontecimentos
Os
doces sons que trazem nebulosas memórias
Do
clã dos desvairados poetas da madrugada
Meus
olhos transbordam saudades em gotas
Proponho
um soneto sem rimas ao poeta
Sussurro
feitiços cantados ao infante
Leio
a sorte do amante que parte
Mergulho
no mitológico universo inexistente
segunda-feira, 18 de março de 2013
Caminhante
Caminho
a ermo perdida em meus pensamentos
Distante
venho vagando entre neblinas da madrugada
O
chão vestido de corações
Enquanto
eu sigo, solene, despida de meus julgamentos
Vou
cantando palavras que me venham a mente
Numa
hipnótica e interminável melodia
O
corpo riscado pelas emoções
Mãos
vazias entre meus dedos inertes apenas o vento
Olhos
cansados de buscar o insondável, o impalpável
Respiro
a incerteza desta densa e gélida cortina
De
nada me serve essa Alma leve que
transpira sedutoras intenções
Quando
o frio invade tudo, ressecando meus pobres intentos .
sexta-feira, 15 de março de 2013
Ventos que vem
O
vento vem me visitar
No
inicio do outono apaga as bocas do fogão
Bate
portas mau humorado
Despenteia
sem dó meus anelados cabelos
Me
visita trazendo cheiros, sons e folhas secas
Olhos
e boca árida,
Ávida...
Parece
ouvir os lamentos do meu coração
Sopra
suas verdades apaixonadas
perfumadas de ilusão
Canta
melodias suaves e se revela
Sussurrando
através da janela
O
vento vem
me procurar
Então
despe-se como se estivesse vestido
Deslumbra-me
como se já não estivesse seduzida
Me
possui como se nunca houvera sido possuída
Invade e desordena todos os espaços,
Me
vigia ,entre suspiros observa silencioso e soturno
Asilado
entre meus apreensivos abraços.
Chegada dos ventos
Quando
teu cheiro era tudo que eu tinha
Eu
era feliz até a raiz dos cabelos
Não
precisava de tanto
Não
desejava nada
Os
ventos frios vinham gélidos
Contar
de sua partida
Mas
a felicidade me fazia ignorar
Quando
seu riso era tudo que me bastava
Eu
contava estrelas deitada a beira mar
Tinha
tudo e não desejava nada
As
aguas cálidas se derramaram por minha
vida
Sem
contar com outra saída
Resta-me
apenas me entregar
Quando teu abraço era meu universo
Seus
brancos fios imensidão de estrelas
Teus
olhos castanhas constelações
Eu
me contentava em olhar-te absorto
Com
novas realizações
Nossas
vidas entrelaçadas e paralelas
Nosso
destino um conto controverso
Me
bastava nesta vida te amar
quarta-feira, 13 de março de 2013
Crônicas de um desaparecimento
Era noite , era dia
Ciclos se repetiam frente aos
nossos olhos inertes
Rapidamente a palavra tornou-se silencio
Então sepucralmente se
prostrou
O vento morno girava as pás do
tempo
Numa amarga espera que nunca se
acabava
Era
dia era noite
E a muito tempo a lua não dançava
Nossas melodias mundanas, absurdas
Então o poeta
secou as suas tintas
Já não sentia cheiro de nada
Sinto o silencio soturno se esgueirando
Não haviam mais borboletas, nem
raposas assustadas
Restou a ausência e um corredor vazio
Que esvaeceu...
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