terça-feira, 27 de maio de 2014

Respostas do vento




O tempo veio como uma resposta do silencio
As borboletas que recebi
Arfaram luminosas dentro de mim
Expulsando todas as sombras de meu olhar
Abriram minha alma para uma coragem desmedida

O sorriso veio como uma resposta a leveza
Pela indiferente sensação de não pertencer a este mundo
Sou uma estrangeira na soleira da casa onde nasci
Estranho o som dos meus próprios passos
As palavras fogem de mim
A aridez ateou fogo ao lirismo
As lagrimas afogaram parte de mim
O espelho revela o quanto desfiguraram meu rosto
minha boca desértica arde
Meu espirito livre quebra as correntes
O tempo vem com uma sabedoria que é fonte da existência
Eu me levanto ferozmente busco em mim a coragem
como uma nau estrangeira aporto despretensiosa
Num amanhã, cheio de alvoreceres
De folhas outonais caídas
De sorrisos revestidos de inocência
E outras coisas que só o tempo traz

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Dona felicidade e uma pausa para mim




Era um dia frio quando ela veio, a filha disse que se chamava Felicidade, assustada com a imagem que parecia uma cena surreal, a voz quase ausente, roupas rotas, sem firmeza alguma no caminhar, repete o nome de maneira incompreensível, a filha repete o nome e entrega o documento, enquanto estática esquadrinho esta mulher de aspecto vencido, o  seu rosto enrugado, mãos tremulas cheias de anéis de prata escurecidos, olhos apagados, cabelos presos sem cuidado algum, decrépita dos sentidos, perco o fôlego pensando no que tenho feito da minha felicidade. Poderia ser mais uma manhã sem sol qualquer, faço então todo o meu atendimento, sorrio meio sem graça, agradeço então a observo sair carregada com dificuldade pelos braços de sua filha desaparecendo da mesma forma que entrou na minha vida.
 Depois desta cena, surgem tantas indagações causadas pela minha curiosidade quase infantil, minha mente fervilha em milhões de pensamentos querendo racionalizar a minha impressão sobre este encontro, desvendar por que a felicidade se personaliza assim desprotegida e obscurecida numa senhora frágil destituída de sua capacidade de se gerir, algo que misticamente parecia um aviso cósmico, ou mais uma das brincadeiras de Deus me fizeram lembrar a minha própria felicidade. Até então, nunca havia imaginado a possibilidade de que meus anseios, desejos, pensamentos envelheceriam comigo, junto ao meu modo de ser sempre transformado pelas necessidades.
Nossos conceitos são tão etéreos e impalpáveis, enxergar a felicidade personificada em uma senhora adoentada, carente de tantos cuidados, me fizeram debruçar sobre meus conceitos e métodos de alcance da minha própria felicidade, a construção da minha rotina tantas vezes muito prazerosa de cuidar de minha filha e de tantos outros desconhecidos que procuram nada mais que um alivio para suas dores ou respostas a suas duvidas, de expor meu mundo através da poesia, de meus relacionamentos pessoais que não sobrevivem a minha incapacidade de ser demasiadamente autentica e rigorosamente fiel as minhas necessidades de ser livre, mesmo querendo aconchego e colo.
Percebi o quanto a falta da percepção do tempo tem atropelado invariavelmente nossas aspirações, empoeirando e paralisando nossas ações por não nos programarmos para viver melhor e com mais intensidade, nem faz diferença o quão belo nossos sonhos sejam, tão pouco importa em qual parte da linha da vida nós estamos, melhor cuidarmos de sonhar e concretizar nossa felicidade agora. Distribuir abraços que desejamos nas pessoas que amamos expressarmos nossos sentimentos, beijar nossos filhos, cantarmos sem motivo ou ritmo, sermos bons verdadeiramente, justos e leais com nossos corações, entregarmos a nossa vida a toda essa delicia que é viver por inteiro, para que pratiquemos a disciplina de valorizar e dar importância as pessoas e coisas que nos retribuem na mesma moeda de troca, o amor.
Não viver o ócio eterno permitir a mente deve estar ativa e produtiva para uma vida plena, temos Contas a pagar e trabalho é importante para nosso conforto no mundo material, mas não deveriam ser a nossa única preocupação, então que nossa ausência seja apenas um intervalo para degustar daquela saudade boa que faz do encontro  um momento de partilha, generosidade e carinho, que tenhamos um sorriso largo em nosso rosto e que nossos dias exalem a paz.

 Antes que o tempo de partir chegue, esgueirando entre as manhãs entre um ou outro fio branco, marcas e sinais que foram postas enquanto estávamos dormindo. Então, depois de ver D.Felicidade  caminhar  pela sala se despedindo da própria vida , quero apenas refazer a minha vida  de uma forma diferente, que minha  felicidade more satisfeita em  meu peito  e esteja como uma criança , plena de energia e fulgor,  brotando dos meus olhos e transbordando em minhas ações, perfumando meus dias e dos meus amados  até o ultimo segundo, então quando eu partir desse capitulo, estaremos duas crianças cirandando na doçura  de outros caminhos mais alem.