domingo, 9 de junho de 2013

Quando...


Quando me balança,
Sou criança pequena  pedindo colo
Quero o aconchego meigo 
Do viajante que  veio de longe

Quando me sacode
Sou tronco firme de arvore  antiga
Meus braços longos deitam ao chão
Os  frutos  maduros e as flores  helicoidais
Que chuviscam tua fronte em festa

Quando me deita
Sou um oceano de fina e escorregadia  areia
Deslizo entre seus  dedos  e te faço mergulhar
Enrosco meus cabelos em teus dentes
Enquanto minha pseudo aridez
Vai tragando o suor de teu corpo com  milimétrica precisão
Aparências apenas,  somos  tão  acanhados
Dormindo em nossas vestes de amor


Deitados no  nosso leito iluminado  com a luz  das estrelas.

Sintomas de Primavera precoce




Quando os mornos ventos chegarem
Subindo pelas minhas pernas
Como se escalassem muralhas  perfiladas
De  pedra encoberta apenas por  musgo e gelo
A aragem  morna conduzida pelos teus braços
Trouxe vida nova aos meus olhos
Meu coração  relaxou
Essa  marcha abismada e frenética,
Exaurido pelo frio
Se entrega dócil ao  prenuncio de sol
A primavera se revela discreta
Como  a namorada  que se desnuda pela primeira vez
Entre sorrisos , rubores e sutilezas
Abre as portas da minha casa
Convida o sol e as flores
Põe a mesa  o mais singelo banquete
Uma dose de acalento e mel
Um prato com uma farta fatia de amor
Cafune antes de dormir

Sorrisos generosos ao acordar

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ideias e Nebulosas



Toda vez que fecho os olhos
Mergulho na fria paisagem
Do desconhecido extremo
Dentro de mim nebulosas
Fagulhas da essência divina me dizem , desperta!
Mas toda vez que abro os olhos
Vejo as borboletas  contornando meus dedos
Encontro um mundo aquecido feito de sol
Outras milhões de galáxias me circundam
Vagando sem sentido algum
Enquanto respiro de olhos abertos
Pisco meus olhos  entre eternidades e anos luz
Confundo as vezes o dentro e o fora
O riso  e a pausa
Dentro de mim um universo de possibilidades
Fios de luz emaranhados  nos cabelos
Quem sou eu, me pergunto
Sou o silencio do universo
Respondo aos berros  como um big bang
Não me pergunte quem sou eu
Sou uma parideira de ideias
Dentro de mim um ninho

Dentro de mim, só eu  estou ...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Porque de tudo


Quando existe o embate
O desconforto da duvida  e o questionamento
A alma me pede  lapis  e papel
Desenho em palavras o caminho percorrido
De uma ideia  a outra
Vou marcando no papel  os pontos de luz
E as sombras que ocultaram meus olhos
Vou deixando registro do que sobrecarrega
Do que pesa  sobre meus ombros
Do que me traz extremo contentamento
O que me faz transbordar de amor
Desenho corpos no ápice do desejo
E as descobertas  comuns  que me fascinam.
Canto a lua , por do sol  e o animal ferido
Canto para os nós  dos cabelos da aura
Enquanto eles me enfeitiçam na madrugada
Canto para os amores carnais  e suas volúpias
Canto para  o nada,  com essa  voz que eu tenho
um tanto rouca  e desafinada  eu arrisco tudo
Como os  eternos  tecedores de ilusão
Apenas  para o instante que existe
De corpo e alma  apenas

Canto ....