segunda-feira, 22 de abril de 2013

Abrir a porta ...






Um copo de café
E  intimidações digitalizadas na outra mão
O coração pulsa
O frio volta a bater na porta
Poucos graus separam o palpável do invisível
Nessas horas prefiro o frio devorador
Que me seduz  com palavras e nostalgias
Às brutais palavras inflamadas pelo medo

Um copo e meio de café
E ainda se levantam a esmo palavras de ordem
Do outro lado a certeza de um amor congelante
Que perdura  pelos tempos
Do outro o apego, o medo e  a certeza de um padrão
A solidão explode  sob mim  seu cheiro acre.

Uma gota  de café
E  as musicas lembram  as sombras dos olhos  e da alma
 a manha já se adiantou  e os fusos horários nos aproximam
Separados por estações distintas
Ambos sentem  frio, solidão e medo
Reviram  e saem dos escombros e sobras
Enfrentam demônios e sombras

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Poder das 3 palavras


Brancas melodias


Nada desejo e nada tenho
Olho espelhos que repetem a ultima imagem
Longos cabelos que o tempo quer alvejar
Mostrando uma sabedoria que ainda não tenho
Na mesa três  solitários copos
Solidários brindam para a noite acabar bem
Costas nuas desafiando  a escassez de abraços
Onde almas se encontrem em paz
Festejamos  a vida e o por vir
Cismando entre as frestas das janelas
Com garrafas entre abertas
Desafiando  a chuvosa umidade das palavras
O tempo dará respostas ao exercício da paciência
Três palavras de poder rogadas
Uma oração penitente conclama
Amor , Boa Vontade e Resiliência
Assim trazemos os fios de nossas vidas
Para traçar novas historias
Que  mereçam  os dons despertos para nossa jornada

Black Bird



Black bird- the beatles

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pensamentos úmidos e brancos e recorrentes


 A chuva escorre pela janela chamando o frio pra brincar, todos os dias eu vejo as nuvens indo e vindo cortejando umas as outras para dançar, meus dias são cinzas , vezes ou outra tornam-se azulados ou alaranjados  quando ela vem brincar , tem dias que o tedio me assalta e leva tudo que eu tenho, outros dias ele vem , se senta  amuado , oferece um cigarro e espera o tempo passar.
Todo dia faço planos , uns dias compro carruagens imaginarias e balões coloridos , outros  me enrolo no  cobertor esperando a preguiça vir ( a maldita nunca vem), as vezes desaguo pensamentos pelos cantos da casa , outras vezes seco lagrimas, olhos e o que mais vier pela frente , meus dias não são meus , são  de alguém que mora lá, um alguém que me rouba pensamentos noturnos e me serve diárias doses de saudade tamanho extra G.
As vezes os dias se arrastam, as noites se lamentam da lentidão do dia e escondem a musa dos meus olhos , maldição de tempo frio que me doe nos  ossos, que  me aguçam a vontade de nada fazer  a não ser cismar. Cismo que  a vida escorre entre meus dedos , o vento sopra meus amores para longe , cismo que esqueci de como empunhar a espada que me deste , cismo , cismo , cismo  ate que meus olhos tenham o peso dos portões do céu,  até que as visagens mais belas se prostrem a minha frente cantando glorias  a chuva que estiou.
Entretida em pensamentos  pálidos, os olhos secos de olhar pra porta  com o corpo quadrado  e pesado  de carregar o mundo nas costas , sento e  escrevo as aventuras de quem viveu pela metade esperando o por vir,  de quem  nesta terra apenas teceu sonhos  e guardou lagrimas  em frascos azuis, olhou o céu  noturno   com nostalgia a muito tempo atrás, quando as estrelas ainda eram crianças  e o inverno ainda era um lugar distante  e fantasioso.
Hoje eu espero a neve  e a vontade de sair , todos espaços não parecem ser meus , nenhuma roupa me cabe  ou  me aquece ,  visto –me de mim em minhas peles nuas e corajosas a enfrentar  meus medos brancos e insípidos como a chuva que  ainda não se vai.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Noites brancas


Muitas  noites  se passaram
desde que  a neve veio sob meus cabelos se  amontoar
Os dedos inertes nem sabiam
Que as lagrimas escorridas  outrora  também podiam  congelar

Mais um café, mais uma noite , outro suspiro de amor não correspondido
O vento esta passando  e batendo portas
Abrindo e fechando janelas
Desencontrei me de mim mesma em  meio ao caos instalado
Amparada ao fiel jardineiro   e suas flores tortas
Sentada , vencida , congelada
Entregue ao cruel tic tac arrastado das horas
Divirto me  entediada com me próprio tedio
Odeio meu ódio, amo a  minha ideia de amor

Muitas noites se passaram, e nem foram tantas
A neve já escorria derretendo pelos meus olhos aflitos
Minhas mãos tremulas, ansiando um aceno
Divido me em bélicos pensamentos e conflitos
Sou afetuosa , bebo em  taças vazias de veneno
Impregno por onde passo com minhas verdades  de infanta .

Café para dois


Minhas frágeis  dores dividi
Em um copo de café para dois
Amarrei as  mãos da solidão
E empurrei escada abaixo
 Junto com minhas fragilidades e medos
Amordacei e joguei num balde  quase vazio
Que se afoguem  imprestáveis
No mesmo lugar onde havia lançado as esperanças e as ilusões
Morde a maçã e sufoca
Penteia os cabelos e desfalece
Beija na boca  e desperta pra sempre
A bela aguarda ainda seu amado desconhecido
Deitou-se a espera  e displicente lançou fora as expectativas
Assistiu a vida passar de dentro do cristal
Meus temores  eu dividi em mil pedaços   como o vidro
Te servi uma taça de meus amores e desamores
Enquanto me deliciava com os seus sons
Me lamentava e tecia
Na mais longa  espera  das noites sem lua
E dos contos de fada .

Foto: Wando Wanderlei

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fractais II



Parte de mim congelada e presa
Entre seus dedos   e o gelo da distancia
Vejo meus passos  como fosseis que  me trouxeram ate aqui
As lagrimas que congelam em minha face  rigida
O ar frio que sufoca minha respiração
Tudo isso q são sussurros de um outro tempo
Outra vida
Outras despedidas em vão
Essa  parte de mim trincada e desfacelada
Margeada  de meu coração
Parte que esta  livre  e  ao mesmo tempo congelada
Em memórias esquecidas
Parte de mim que sangrou  a noite
 e durante a manha  brotou 
Parte de mim aliviada
Parte de mim encantada nos sonhos de amor
Parte de mim que não me pertence
Parte que nunca fui eu mesma
Tantas partes que não se tocam mais
Magneticamente se encontram em  fusos horarios
Parte de mim renascida
Acordada  e  aquecida
De mim

foto Wando 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Palavras acesas



Religiosamente  acendo as palavras
E as uso para quebrar glaciais paredes entre nossos mundos
A fumaça  se espalha por toda sala
Nosso pequeno incêndio verbal
É sagrada  a desconfiança diária
Como uma serpente esperando ser cortejada
Destila seu doce veneno , o ciúme
Gotejando sob nossos olhos
Um véu  de desconfianças , de ruídos  abafados
Cafés requentados  com gosto amargo
Vem o frio apagar tudo
 Esvaece  a fumaça
Apaga com seu vento úmido a fogueira
Espalha as cinzas  pelo chão
Adormece a serpente 
Congela os nervos expostos
Desperta a raposa , com sua cisma  colorida
Seus olhos cismados  e orelhas atentas
Ao frieza matinal  e os sons do outro lado do muro.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

As ultimas folhas do Outuno




Nos últimos dias de outono
Descobri que havia o silencio
Um vácuo insuportável
Que invadiu tudo que existia

No cair da ultima folha
Só haviam minhas mãos vazias
Um eco distante  do que fora felicidade
Um peito ardendo em chamas
As mãos endurecidas pelo frio

Estou tão nua  e despreparada
Quanto as arvores jovens  que enfrentam a primeira  geada
Quisera me acovardar  mas reconheço que falhei
Acendo outra  fogueira  com gravetos que podei
Sou de mim mesma o atroz carrasco
Permito me o frio, a dor ,  a solidão
Enquanto meu corpo crepita mutilado
Entre as cinzas  dos meus últimos fôlegos
E os flocos pesados da chegada do inverno 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tempos...


Os tempos não são brancos
Ainda são cinza
Como o momento que precede a chuva
Que esconde a lua

Os tempos não são secos
São turvos  e úmidos
Como as lagrimas derramadas atrás de uma porta
Silenciosas

Os  segundos são ruidosos
Como ratos passeando no telhado
Todos procuramos um lugar para passar o frio
A mim resta uma poesia  e um copo de café
Uma boa companhia para horas gélidas
Intermináveis horas

Os tempos não são acolhedores
São inóspitos e misteriosos
Pedem uma taça cheia de vinho quente
E esperam as pessoas passarem

Alma exposta



















Desnudar meus olhos dos véus de ilusão

Enxergar nossos corpos derretendo

O chão branco abaixo de nós
As dores infligidas pela indiferença

Abrir de vez as portas do coração
Enxergar o tempo entre nós passando
Sob nós o céu  e seus mistérios
Sentir as dores impostas pela distancia

Contrassensos e controvérsias
Sou hipérbole  e metáfora
Sou meridianos que se encontram  e se despedem
Sou aquela  fonte perene
E a agua que nunca cessa de escoar pela sua mão
Sou a terra árida carcomida pelo frio
Arvore despida de folhas na geada
Alma exposta e mais nada