sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Nossas passagens e outras estações




Por tudo o que nos significa,talvez fosse certo se Deus,  em sua sabedoria, resolvesse levar da terra os poetas para si  na virada das estações. Em sua febre transição que tanto ferve a poesia sobre nossos olhos,as nuances  das luzes, a mudança nos céus , nossos olhos mais contemplativos , nossos espíritos mais abertos ao tempo, nossos cabelos as vezes tão brancos ou apenas levemente prateados, olhamos o tempo cronológico nos devorando  a cada dia, a cada desabrochar de flor  e queda de folha, cada anel de seiva formado.

Somos temporários buscando eternizar nossos segundos, nossos olhares apaixonados pela vida que nos possui, somos temporários mais o amor nos eterniza  nas palavras-afagos que trocamos entre nós poetas, entre os nós da poesia  as coisas da vida ficam mais claras e ganham mais luz,os abraços se enovelam mais, hiperbolizamos as estações do ano em nós , em nossa ternura pelas palavras gastas, surradas , colocadas gloriosamente em nova função .

Nós, poetas  deveríamos também nos conformar com a mudança  e aceitar que quando Deus nos leva colocando ponto final em nossa trajetória terrestre, é por que teremos uma nova função no texto-poético celestial do criador, seremos estrelas  a soprar sussurros de poesia na noite de outros que como nós  despertaram para a secreta poesia oculta das letras e das palavras .



 ainda nas nuances de experimentação da escrita ...  Caroline Brandão

domingo, 14 de setembro de 2014

As palavras de hoje





As marginalidades teatrais do meu ser
 As palavras esculpidas e trabalhadas no  submundo
Representadas  pela imagem do caos
Escapam inconsequentes entre meus dedos
Perfuram a moral e o real
 Irresistíveis  em sua impactante violência 
São palavras  não sabem da  compreensão do mundo
São sentido oculto de si
Sementes de uma intenção fulgaz
São raízes  numa profunda compreensão de mim
São espelho raso de água por trás de intenções

 As marginalidades sedutoras do meu ser
Em fuga desesperada solta jorros de palavras confusas
Descortinam  intenções  mal disfarçadas
Assumem friamente seu lugar a mesa
As palavras vestem-se das verdades que eu pensei
Sambam pelo meio das pessoas as   envolvem
As palavras desconhecem  a natureza  de quem as semeou
Odiosas retornam em  ações  reflexas , em questionamentos
Trazem consigo as verdades desconhecidas
Os universos alheios , e o sentido do outro
Meras portadoras do significado de outras mentes
As palavras  são a chave , a porta e o vão
Nós somos os labirintos de nervos expostos
Construídos de  pureza  de sentimentos  e ações dúbias