segunda-feira, 28 de setembro de 2015

o silencio e a porta aberta



O pior de todos  os silêncios
 Era o  que me carcomia por dentro
 Me sentia  fera  enjaulada
 Semente prestes a romper o solo
 Em mim todos os silêncios do mundo estavam guardados
 Em  cada silencio a poesia  gritava

 O pior de todos os medos
Era o que prendia meus  dedos
 Trançava  meus cabelos na hora de dormir
 O medo que roubava meus sonhos
 Calava meu corpo e anestesiava meus sentidos

 Aquilo que me apavora  e faz o silencio brotar em mim
Que paraliza e ao mesmo tempo  liberta
Me faz equalizar  internamente  todas as frequências
O que  me prende ao chão  e também me faz  alcançar as alturas
Entre meus opostos , oscilo  sem vacilar

domingo, 30 de agosto de 2015

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Coisas do tempo

Eu era um passarinho sem asas
Um alhures de outros tempos
Não sabia da vida quase nada
Deixava a vida me levar entre seus ventos

Meu coração era pano
Era trapo sem cor e sem romance
Espaçados carinhos de um ano
Em um coração que o vazio permite que se avance

Entre as paginas de colorir  vazias
Entre os dedos repletos de cafuné
De amar faz-se urgente deixar o coração  cativo
Escalar as paredes desta alma antiga
Mergulhar  neste  ventre  liquido  e sereno
Onde reside  o oceano de  sua calma
O tempo traz as respostas que ele mesmo cerzia

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Do tamanho do mundo

quando eu percebi
 todo mundo era bem maior  que o eu
 então abracei um pedacinho
o  mais querido tantinho do mundo
 aquele que  parecia caber na mão
 então logo percebi
 que num só abraço
aquele tantinho do mundo
 não cabia entre meus braços
então eu abençoei com um beijo
o pedaço  do pedaço que eu mais amava
 de quis  por no coração
 e  percebi que era de um tamanho infinito
 que  não cabia em meus sentimentos
um amar assim
 tão estupendo , tão fantasiosamente  calculado
 na minha imaginação não cabia
eu , tão diminuta que sou
olho hoje para o amor
 como quem olha para o céu  na noite escura
 e nessas tantas luzes brilham em seu olhar
 que cabem tanto  no  limite do cantos de seus labios sorrindo
quanto nas estrelas  que se agigantam no universo
o amor  é do tamanho  da minha disposição de nele mergulhar

sábado, 27 de junho de 2015

o frio e o extase



Meus pés  descalços
Meu dorso nu e o frio
 Me conduzem  a selvagem essência do que sou
Minhas mãos sempre vazias
Meus cabelos negros  soltos como lanugens
Alvoroçados  como se fosse uma fera qualquer
 Eu, raposa , senhora do  caminho  oculto
 Com meus olhos esquivos
 Desvio das luzes que me  cegam
 Eu sou a nudez de minha alma exposta
 Sou os pés  sobre a terra seca
 Sou os cabelos sequiosos de seguir a luz da lua
Indomável, eu sou o nada
 Minha boca sangra pela caça abatida entre os dentes
Sou eu mesma voraz  e insaciável
Outras vezes sou quietude e  paciência e deleite
 Minha alma é agressiva  e poesia marginal
Eu não me defino
Sou as nuances do que eu digo
 E a crueza das palavras postas
Palavras que deliciam minha pseudo  desordem aparente
Meus lábios secretam a poesia das ruas escuras e dos becos imundos
Mas eu estarei nua
 Despida da admiração que cospe sobre a poesia esteta
 Abri as pernas do que sei
Violência e desacato
Acarinho a  fera em mim
Olhos abertos durante a noite escura
Sem espelhos, sem medo
Sem palavras flores
A coroa está posta sob os meus pés que caminham sem ritmo
Minhas mãos  constroem  a poesia sem forma
Onde o meu corpo dança sem sentidos
 em uma mão a lamina
Entre os dedos da outra, a taça
Na boca o segredo do mundo
 Grito aos céus para que cubram  a nudez do meu corpo
 Visto me de sonhos,e  de um pouco da lucidez encantada dos que  perderam tudo

Deito sobre a  relva fria envolta no silencio e no êxtase.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

você, seu caminho e o vento

Eu olhei pela janela
As  sombras lentamente engolindo o dia 
Os casais  passeando  de mãos  dadas
Os morcegos nas copas das arvores 
 A revoada  dos pássaros  a toa em volta
 De um céu místico alaranjado
 Ventos sopraram para longe  as nuvens de outrora
A madeira fria  que a chuva da noite  molhou
 Eu olhei  pela janela 
 Gatos sentados no beiral
 As horas  escoando  pelas frestas da porta 
 Era bom quando você ficava  a toa  ao meu lado
 Com seu charme ruidoso
Seus olhos de  silencio e paz
 Como meu coração fica quieto  quando você está perto
 Eu olhei  pela janela  
E a saudade falou comigo
O céu me aconselha a te deixar
Como o vento que sacode as nuvens 
Derruba as folhas  quando  quer soprar

domingo, 17 de maio de 2015

Reflexão do tempo



importante mesmo é não perder tempo com explicações 
depois que o pó encobre toda a razão
cada um que siga seu caminho
cada um que desfie o tempo a sua maneira 
cada um que seja o que quiser
que faça de sua metade da historia
o que achar melhor
e aos que vierem depois que se acostumem
aos tempos mais estereis e individualistas
desde a criação da humanidade

domingo, 26 de abril de 2015

Pensamentos de ontem e poesia para quem não dorme



O ontem foi mágico
Lembro de tudo, repassei as conversas
Ouvi de novo cada pausa com os ouvidos da alma
O corpo se contraiu com sorrisos
Espasmos  do  calor  e do aconchego
 Não estou acostumada ao toque
Não estou acostumada a viver fora da nostalgia
 Mas ontem foi outro dia e eu entendi
Da vida o que me cabia
Então em silencio
Depois que descobri o caminho a minha frente
Nunca mais quis olhar pra trás
Nunca mais quis  remoer poesia
Quero estar no alto dos telhados declamando
O amor que virá das divergências
O sonho que sonharei das  incongruências
Quero mais o por vir , o capitulo a seguir
O corpo tem espasmos de frio  e calor
 Mas a alma  sedenta  e faminta
Do fruto futuro  que vem se por
No despertar da manhã  dos que não dormem
Dos que anseiam  diariamente
dos que  se sustentam o sagrado momento
E  na resiliência  do sentimento.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O possível recomeço



Venha se esconder
 De seus medos e  suas noias
Das manias do outro dia
Da ânsia amarga da solidão
Dos pensamentos pecaminosos
Dos devaneios  e do gozo das horas
Sente aqui do meu lado
Para esvaziar a mente  do lixo
 Jogar a rotina  pela janela
 Reescrever uma historia amena
 Que tem cheiro de pipoca  e goma de mascar
Venha  se esconder
 Do tempo que passa afiado, cortante
 No silencio de minhas horas febris
No desejo que  nos consome em delírios
No refugio entre meus braços cálidos
 Na maciez de minhas palavras sussurradas
 No calor de meus lábios sedentos
Venha ver o tempo passar ,
Entre meus seios raros
Perdido nos meus cabelos ralos
No meu prazer e no meu sexo
E o desejo seja  apenas uma lembrança do alvorecer
Venha,antes que seja tarde, no deleite de meu corpo se esconder

domingo, 12 de abril de 2015

Poesia Obvia, é obvio.

Canta Raul dizendo a verdade
 E tudo de forma tão obvia
Encontra a  forma  de se revelar
 A lua  não está  clara  no céu
As nuvens são sopradas ao sabor do vento
Que imprime sua velocidade  sem pestanejar
O encanto pela luz  entrando pela fresta da janela
 Enquanto faço um café
Aguardo o frio pra congelar minhas expectativas
Aguardo o  vento para carregar minha confusão
Aguardo que abra meus próprios olhos
Eu aceito a verdade
Nada é como eu imaginava
Aceito a verdade assumo que  gosto do sabor da ilusão
Dos pensamentos felizes  do alvorecer
Da esperança sem motivo no amanhã
Sou meus opostos ao mesmo tempo
Me contradigo  feliz , nem mesmo eu  sou como imaginava
Mas eu aceito a verdade
Depois de mil argumentações  vencidas
O  obvio vence , o frio entra pelo canto da porta
Anunciando que veio para ficar
Que fique , racionalizar a vida  anestesia os sentidos
Acolho minha racionalidade e meu  confuso ímpeto emocional
Aceito meus sentimentos glaciais
Não uso maquiagem, sou rigor e  contemplação
Me aceito, de verdade
E da forma mais obvia ,  sento-me em meio a poeira
Contestando Cronos que a tudo devora
Aceito minha transitoriedade
Sendo devorada pelo tempo que nunca possui.