quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sobre o tempo e a poesia





Não devemos abusar do tempo
As águas do rio da vida  são ligeiras sob a ponte
O vento carrega o cascalho fino
As amêndoas amargas fermentam
Enquanto o sol se levanta e se deita  seguidamente em vários dias

Não devemos abusar da cronologia
Pois os pássaros tem o tempo certo para cantar
Esquecer dos amores aos ponteiros do relógio
 E viver na nostalgia  , ai se eu tivesse tido mais tempo
Para o beijo do adeus  mais demorado
Para a lascívia  dos amores e do sexo
Para o aconchego da criança  na noite fria
Não devemos também nos apressar em demasia
Aproveitar da vida o tempo certo de ouvir os pais
De ser pai dos próprios pais
Cada ponteiro que se mexe no relógio
Guarda as possibilidades do novo dia
Então descobrir qual ciência que faz o tempo parar na hora certa

Termina sendo o desafio místico da poesia 

domingo, 24 de agosto de 2014

Oque os espelhos sabem de mim




São os espelhos  que contam minha historia
Recordam meus cabelos fartos
Dos anéis cor de terra espalhados pelas costas
Meus dedos vasculhando sementes dos afetos que tive
Longos dedos que conhecem as letras
As palavras recordam dos amores que se foram
Os espelhos encaram na madrugada fria
Revelando o segredo oculto
Recordam as marcas no canto dos olhos
Os vincos  dos lábios
Resvalam as lagrimas  que escorrem pelo rosto
São os espelhos que dizem  da casa que eu moro
Das roupas que visto
Da dureza que invade meu olhar vez ou outra
 A única coisa que   o espelho não recorda
É da doçura que transborda  de meu coração febril
Quando penso nas sementes não germinadas
Nas flores que não brotaram  na naturalidade de meu ser
Não  contam do amor abortado e da lagrima que não rolou
Sabe de tudo de minha casca
Mas não conhece minha consciência
Nem dos ventos que me levaram  a sentar-me frente a mim mesma
E rever as historias que não confessei

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Viagem Vazia no nada


As gargalhadas, recordo , cada  existência  tem a sua viagem 
Eu multiplico as experiências 
Minha hiper realidade é um sonho
Vivo meu tempo, minhas dores  a meu modo
Nem certo nem errado , mas a minha maneira 
Sussurros me surpreendem na noite 
Eu sinto teu cheiro de amêndoa moída
 Eu multiplico minha existência 
Fraciono minhas fases e meus prazeres
 Analiso  as notas musicais e componho
Invento meu próprio instrumento
Fervilho ideias  pelos meus poros abertos 
Eu multiplico minha  ausência 
Nada de onipresença  em mim apenas 
Ausento me de meus atos 
Uso meu corpo inteiro para expressar o nada 
Nada sinto, nada vejo  e abraço o nadismo cotidiano
Como uma forma de viver 
Transbordo meu 'eu ' dentro de mim
Afogo o ego em palavras diminutas
 Sento a beira da praça para ver o sol nascer
Para ver a nuvem passar
Para nada 
Confraternizo com o nada sou
Dispo as regras dos segredos ocultos 
Revelo-me  despudoradamente 
Nada assombro , pois nada há
Fraciono minha experiência 
 Fraciono me mil vezes nada 
Explodo de tão feliz por esse nada 
 E tenho a paz sonhada 
 Sem desejos absurdos encerro meu dia
Feliz por não querer nada 
Plena no centro do nada  compartilho minha experiência 
Não acrescentei nada 

Foto de Larissa Quase Sã- Vale do Capão