sexta-feira, 17 de maio de 2013

Uma taça de veneno para dois



Mil explosões  foram ouvidas
Condensando a fria logica
Os olhos suplicantes  de uma quimera
O fascinante canto da plêiade
E o clamor da pálida brisa
Sussurrando   serenai , serenai...

Quando o frio precipitou
O veneno já estava posto sobre a mesa
Delicadamente em  taças buriladas
Sutilmente olvidado de quem fosse
Permaneceu maliciosamente intocado

Ai de mim,  tentadores venenos
Tão fielmente determinados  a me seduzir
Espargindo suas  voluptuosas fragrâncias
Semeando contingências e  ilusões
Enquanto envolta na aragem fria
Insistia serenai , serenai.....

terça-feira, 14 de maio de 2013

Cancioneiro do espadachim embriagado



Hoje  a lua me chama e eu vou
As luzes irradiando  por todos lugares
E eu sedenta  e destemida me deixo levar
Por que minha consistência é de estrelas
Preciso estar no céu  a flutuar

Hoje o vento me chama  e eu vou
Carregada pela necessidade de fluir
De  deixar fluir por mim as energias vitais
Eu  feliz me deixo levar  como o sonho
Feita da magia do amanhecer

O amanhã  me chama para perto de si
E eu vou caminhando  sem cansar
Com minha bagagem de sonho  e esperança
Uma garrafa de ilusão me embriaga os sentidos
Vou aonde o amanhã me chama
Acordo empoeirada , a beira da estrada
Pensando se o amanhã também não foi ontem.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sentimentos de pedra






Amizades artificiais 
Que não resistem a agua e sabão
Não as desejo
Anseio sentimentos de pedra
Para o vento , a chuva e o tempo lapidarem 

Sentimentos glaciais
Não os desejo , nem desejei
Não resistem ao calor do sol
Se afogam em culpas , medos e ansias
Não suportam a convivência diária
Sem tricarem em mil fractais

Desejo a serenidade dos sons da casa
O abraço de boas vindas
O conhecido e o familiar
Aquilo que não conhece mentiras nem ocultisses
O que se lava com lagrima e não se corroi
O que se limpa de gozo sem perder o prazer
O que se sustenta em olhares
O que se perpetua em ações

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Complementos e antiteses







Vamos brincar
Na inocência de nossos dias
Hoje você é o sol  e eu a neblina
Amanhã eu sou chuva  e você a bacia
Hoje eu sou o folego  e você o ar
Um dia a folha e você o galho
Horas o som e você o silencio
Outras você a areia e eu o mar

terça-feira, 7 de maio de 2013

Lição de jardinagem





Sou ramo cortado
Embrionado
Me desfaço em negras flores
Surgidas da batata embrionada

Ramo espinhento que fui
Lamina  feroz que rasgando  a terra árida
A flor que precisa sobreviver ao tempo
Ao vento

Não sou uma coisa , nem outra
Enterrada sob a terra sufoco sonhos
Alimento  em silencio a flor
Anseios  Abortados
Para nutrirem outras raízes

Não sou uma coisa nem a outra
Nem o riso da paz , nem o amor enternecido
Nem o gemido da dor , nem o suspiro aliviado
Nem a flor exuberante , nem a raiz sufocada

sábado, 4 de maio de 2013

O desejo , o frio e a pele




O frio belisca  a pele nua
Amanhã é mais um dia
Na sucessão  interminável dos dias
Um segundo substitui o outro com perfeição
Ainda assim  a espera nunca cessa
As neblinas  nunca deixam de enevoar olhos
As cachoeiras de lagrimas estão asseguradas
O peito doe, dentro dele o coração se espreme
Cuspindo frio , esperança  e exaustão
A certeza do amontoado das horas
Traz uma dose extra de tédio para mim ,que apenas  espero
Sou espectadora da vida
Encho a cama de vazios e certezas e  vou deitar
A noite é longa para sorver congelados momentos passados
Sucedem- horas e o tempo não passa
Sucedem me ideias pavorosas incitadas pelo frio
Enquanto belisca minha pele e me  tira o sono
E a pele sonha arder nua outra vez
Maltratada pelo frio e pelo tempo
A pele se satisfaz com o sono curto
Vira para o outro lado
Empurra as certezas pra fora
Abraça  o vazio em busca de mais paz e mais sono

Manhã congelada



Canto para a manhã  congelada
Que desperta preguiçosa  com a luz da janela
Espreita o calor da cama
Vigiando  o leito de meu sono
Se entranha nos meus sonhos

Canto para a manha congelada
Que desperta os passarinhos
Que numa mão traz o frio na outra o café
Traz o jornal para dentro
Que chama a solidão pra sentar a mesa

Canto para a manha congelada
Que ama o frio e deseja o calor
Que ama a escuridão e necessita da claridade
Que congela o tempo e faz os segundos correrem
Dou a ‘ela a  melodia doce
Dos que se reconhecem perdidos
Dos que se reconhecem parados
Dos que não lamentam a vida
E da morte não esperam nada

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Um mês



Imersa no meu turbilhão de pensamentos
Nem percebi a chegada do dia
Cai a neve  entre as nuvens cinza
Os sons de casa ainda me comovem
Soterrada pelos exageros melancólicos
O coração pulsa , a alma  se  aquece
Anseio para chegada do sol entre as frestas  de meus olhos
Enquanto o silencio se espalha
Qualquer som me deixa sobressaltada
A casa coberta de neve sou eu
O coração assustado é meu
A mão solitária tateando no escuro
Enquanto  as luzes são poucas
Um dia é pouco
Em um mês a neve já tomou tudo
O telhado,  a porta , as janelas
O coração ainda cospe frio pelas carótidas
Existência congelada,  sentimentos glaciais
Nada é o que parece ser
Ou apenas é superficialidade e aparência
Como a  fina superfície do gelo sobre o rio
Uma armadilha que é o que é