Meus pés
descalços
Meu dorso nu e o frio
Me
conduzem a selvagem essência do que sou
Minhas mãos sempre vazias
Meus cabelos negros
soltos como lanugens
Alvoroçados
como se fosse uma fera qualquer
Eu, raposa ,
senhora do caminho oculto
Com meus olhos
esquivos
Desvio das
luzes que me cegam
Eu sou a nudez
de minha alma exposta
Sou os pés sobre a terra seca
Sou os cabelos sequiosos
de seguir a luz da lua
Indomável, eu sou o nada
Minha boca
sangra pela caça abatida entre os dentes
Sou eu mesma voraz
e insaciável
Outras vezes sou quietude e paciência e deleite
Minha alma é
agressiva e poesia marginal
Eu não me defino
Sou as nuances do que eu digo
E a crueza das
palavras postas
Palavras que deliciam minha pseudo desordem aparente
Meus lábios secretam a poesia das ruas escuras e dos
becos imundos
Mas eu estarei nua
Despida da
admiração que cospe sobre a poesia esteta
Abri as pernas
do que sei
Violência e desacato
Acarinho a fera
em mim
Olhos abertos durante a noite escura
Sem espelhos, sem medo
Sem palavras flores
A coroa está posta sob os meus pés que caminham sem
ritmo
Minhas mãos
constroem a poesia sem forma
Onde o meu corpo dança sem sentidos
em uma mão a
lamina
Entre os dedos da outra, a taça
Na boca o segredo do mundo
Grito aos céus
para que cubram a nudez do meu corpo
Visto me de
sonhos,e de um pouco da lucidez encantada
dos que perderam tudo
Deito sobre a
relva fria envolta no silencio e no êxtase.

