Canto para a manhã congelada
Que desperta preguiçosa com a luz da janela
Espreita o calor da cama
Vigiando o leito de meu sono
Se entranha nos meus sonhos
Canto para a manha congelada
Que desperta os passarinhos
Que numa mão traz o frio na outra o
café
Traz o jornal para dentro
Que chama a solidão pra sentar a
mesa
Canto para a manha congelada
Que ama o frio e deseja o calor
Que ama a escuridão e necessita da
claridade
Que congela
o tempo e faz os segundos correrem
Dou a ‘ela a melodia doce
Dos que se reconhecem perdidos
Dos que se reconhecem parados
Dos que não lamentam a vida
E da morte não esperam nada

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