quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sobre o tempo e a poesia





Não devemos abusar do tempo
As águas do rio da vida  são ligeiras sob a ponte
O vento carrega o cascalho fino
As amêndoas amargas fermentam
Enquanto o sol se levanta e se deita  seguidamente em vários dias

Não devemos abusar da cronologia
Pois os pássaros tem o tempo certo para cantar
Esquecer dos amores aos ponteiros do relógio
 E viver na nostalgia  , ai se eu tivesse tido mais tempo
Para o beijo do adeus  mais demorado
Para a lascívia  dos amores e do sexo
Para o aconchego da criança  na noite fria
Não devemos também nos apressar em demasia
Aproveitar da vida o tempo certo de ouvir os pais
De ser pai dos próprios pais
Cada ponteiro que se mexe no relógio
Guarda as possibilidades do novo dia
Então descobrir qual ciência que faz o tempo parar na hora certa

Termina sendo o desafio místico da poesia 

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