sábado, 27 de junho de 2015

o frio e o extase



Meus pés  descalços
Meu dorso nu e o frio
 Me conduzem  a selvagem essência do que sou
Minhas mãos sempre vazias
Meus cabelos negros  soltos como lanugens
Alvoroçados  como se fosse uma fera qualquer
 Eu, raposa , senhora do  caminho  oculto
 Com meus olhos esquivos
 Desvio das luzes que me  cegam
 Eu sou a nudez de minha alma exposta
 Sou os pés  sobre a terra seca
 Sou os cabelos sequiosos de seguir a luz da lua
Indomável, eu sou o nada
 Minha boca sangra pela caça abatida entre os dentes
Sou eu mesma voraz  e insaciável
Outras vezes sou quietude e  paciência e deleite
 Minha alma é agressiva  e poesia marginal
Eu não me defino
Sou as nuances do que eu digo
 E a crueza das palavras postas
Palavras que deliciam minha pseudo  desordem aparente
Meus lábios secretam a poesia das ruas escuras e dos becos imundos
Mas eu estarei nua
 Despida da admiração que cospe sobre a poesia esteta
 Abri as pernas do que sei
Violência e desacato
Acarinho a  fera em mim
Olhos abertos durante a noite escura
Sem espelhos, sem medo
Sem palavras flores
A coroa está posta sob os meus pés que caminham sem ritmo
Minhas mãos  constroem  a poesia sem forma
Onde o meu corpo dança sem sentidos
 em uma mão a lamina
Entre os dedos da outra, a taça
Na boca o segredo do mundo
 Grito aos céus para que cubram  a nudez do meu corpo
 Visto me de sonhos,e  de um pouco da lucidez encantada dos que  perderam tudo

Deito sobre a  relva fria envolta no silencio e no êxtase.

4 comentários:

  1. Parabéns! Seu poema dá indícios de que outras belezas virão!

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  2. Da candura duma nudez permissiva de sonhos. Lindo raposa!

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  3. Essa poesia acendeu em meus olhos a imagem de deusas pagãs reverenciando e aplaudindo as descobertas de suas próprias paisagens de sentimentos, emoções e lirismos encantadores, deixando emanar um simbolismo único presente no íntimo feminino.

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