E tudo de forma tão obvia
Encontra a forma de se revelar
A lua não está clara no céu
As nuvens são sopradas ao sabor do vento
Que imprime sua velocidade sem pestanejar
O encanto pela luz entrando pela fresta da janela
Enquanto faço um café
Aguardo o frio pra congelar minhas expectativas
Aguardo o vento para carregar minha confusão
Aguardo que abra meus próprios olhos
Eu aceito a verdade
Nada é como eu imaginava
Aceito a verdade assumo que gosto do sabor da ilusão
Dos pensamentos felizes do alvorecer
Da esperança sem motivo no amanhã
Sou meus opostos ao mesmo tempo
Me contradigo feliz , nem mesmo eu sou como imaginava
Mas eu aceito a verdade
Depois de mil argumentações vencidas
O obvio vence , o frio entra pelo canto da porta
Anunciando que veio para ficar
Que fique , racionalizar a vida anestesia os sentidos
Acolho minha racionalidade e meu confuso ímpeto emocional
Aceito meus sentimentos glaciais
Não uso maquiagem, sou rigor e contemplação
Me aceito, de verdade
E da forma mais obvia , sento-me em meio a poeira
Contestando Cronos que a tudo devora
Aceito minha transitoriedade
Sendo devorada pelo tempo que nunca possui.

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